A “Venda de Zé Macedo” em Venda das Pedras (Década de 1920)

12/06/2017

Gilciano Menezes Costa

Fonte: Acervo Pessoal

A presente imagem foi fotografada na década de 1920 e o armazém em destaque era administrado, neste período, por José Joaquim Teixeira de Macedo [1].

Esse estabelecimento era uma venda de “secos e molhados, fazendas e armarinho” e era localizado na região de Venda das Pedras, próximo a atual Igreja de São Pedro. Esse armazém representou um dos principais pontos do comércio de Itaboraí no final do século XIX e durante toda a primeira metade do século XX, assim como a área ao redor, visto que sua localização era próxima a Estação ferroviária de Venda das Pedras [2]. 

Como pode ser percebido na foto, os tropeiros com suas mulas paravam neste estabelecimento. Vinham de diferentes regiões do interior de Itaboraí, e arredores, para deixarem suas mercadorias nessa Estação ferroviária, para que em seguida fossem transportadas, sobretudo, para Niterói.

Segundo alguns registros, o proprietário deste estabelecimento era Pedro Antonio de Novaes, que o alugou a José Joaquim Teixeira de Macedo. Em 1901, já há menção do nome de Novaes como comerciante em Venda das Pedras. Contudo, a partir de 1908 seu nome não é mais mencionado e em 1909, em seu lugar, José Joaquim de Macedo é citado como o comerciante de mesma região, o que viabiliza supor que o armazém em questão tenha sido assumido por Macedo em 1909 [3]. 

O armazém ficou conhecido como a “Venda de Zé Macedo” e foi atrelada a esse armazém, segundo a memória coletiva local, a origem do nome Venda das Pedras, na medida em que na varanda e na frente desta Venda tinha um “calçamento de grandes pedras roliças (pé de moleque)” [4]. Contudo, o termo Venda das Pedras já era utilizado, desde 1874, na denominação da própria Estação Ferroviária. Além disso, os nomes desses comerciantes, nos registros analisados, não são mencionados no século XIX [5]. 

Isso possibilita interpretar que: ou esse armazém é anterior ao ano de 1874, pertencente a outro proprietário, ou o termo é originário de alguma outra venda com características semelhantes em mesma área. Isso considerando que tal associação do nome da região com uma venda tenha sentido.

O fato de se ter fontes primárias que demonstram que o termo Venda das Pedras já era citado em 1874, assinala que o termo utilizado como Iguá para uma mesma dimensão geográfica do que se tornou Venda das Pedras, no final do século XIX e início do século XX, não tem sustentabilidade. Até a década de 1940 os dois termos eram utilizados, sendo que Iguá era direcionado para as regiões próximas ao rio Iguá e Venda das Pedras para toda região a partir deste rio, englobando um território consideravelmente maior. Com o decorrer dos anos, a denominação Iguá cai em desuso e toda essa região passa a ser conhecida como Venda das Pedras.

José Joaquim Teixeira de Macedo, em dezembro de 1953, “retirou-se de toda atividade comercial” e em 1954 faleceu. Os herdeiros de Pedro Antonio Novaes, que era o proprietário do estabelecimento, transformaram essa construção em uma residência [6]. A partir da década de 2010, o local voltou a ser um estabelecimento comercial, mas sem as características arquitetônicas da “Venda do Zé Macedo”.
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Fontes e Bibliografia:
[1] Fotografia gentilmente cedida pela Artista plástica e Professora Cristiane Rosa Pereira Jardim.
[2] Esta propriedade atualmente é o Sete Bar & Restaurante (julho de 2017).
[3] Jornal Livre, reportagens localizadas entre agosto e setembro de 1995. Almanaque Administrativo Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro. 1901, 1908 e 1909. Agradeço a Professora Flávia Bastos pelo acesso a esses números do Jornal Livre.
[4] IDEM.
[5] Diário do Rio de Janeiro, 20 de outubro de 1874.
[6] Jornal do Comércio, 7 de maio de 1954; Jornal Livre, Op.cit.

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Gilciano Menezes Costa é Doutorando em História Social da Cultura na UFF. Professor de História e Filosofia na Rede Estadual em Itaboraí e Professor de História na Rede municipal de Magé. É autor da Dissertação de Mestrado (UFF) intitulada "A escravidão em Itaboraí: Uma vivência às margens do Rio Macacu (1833-1875)". Disponível em: https://docs.wixstatic.com/ugd/